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Operação “Frete Grátis” investiga fraude milionária contra o Mercado Livre no interior paulista
GAECO e 9º BAEP cumpriram mandados em Rio Preto, Tanabi, Bálsamo e Mirassol; prejuízo estimado ultrapassa R$ 2,5 milhões
Por Samuel Leite
26 de Maio de 2026 às 17:15
O Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (26) a Operação “Frete Grátis”, que investiga um suposto esquema de fraudes contra a plataforma Mercado Livre com prejuízo estimado em mais de R$ 2,5 milhões.
A ação foi conduzida pelo GAECO — Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado — com apoio operacional do 9º BAEP da Polícia Militar.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão em cidades do interior paulista. Foram cinco alvos em Tanabi, um em Bálsamo, um em Mirassol e três em São José do Rio Preto.
Segundo o Ministério Público, dois dos endereços em Rio Preto ficam em condomínios de alto padrão, enquanto o terceiro corresponde à sede empresarial de um dos investigados.
As investigações apontam a existência de dois núcleos distintos de atuação criminosa: um ligado à região de Tanabi e outro sediado em Rio Preto. Apesar da divisão geográfica, o Ministério Público afirma que os grupos utilizavam métodos semelhantes de fraude, o que levanta a suspeita de uma estrutura criminosa integrada.
De acordo com o GAECO, os investigados teriam aplicado ao menos duas modalidades de golpes dentro da plataforma de comércio eletrônico.
Na primeira, vendedores anunciavam móveis e objetos de grande porte no sistema do Mercado Livre, mas manipulavam de forma fraudulenta informações relacionadas ao peso e às dimensões dos produtos.
Com isso, armários, estantes, cômodas e gabinetes eram cadastrados como se fossem pequenos objetos, reduzindo artificialmente o valor do frete cobrado pela plataforma.
Ainda segundo a investigação, o esquema teria contado com a participação de funcionários da própria empresa, que seriam responsáveis por alterar dados internos dos anúncios.
A segunda frente investigada envolve supostas fraudes em processos de devolução de produtos. Conforme o Ministério Público, o sistema do Mercado Livre era induzido a pagar custos de coleta e transporte de mercadorias que nunca chegavam a ser efetivamente recolhidas nas residências dos consumidores.
A operação mobilizou oito promotores de Justiça, dez servidores do Ministério Público, 13 equipes operacionais e 62 policiais militares do 9º BAEP.
Os investigados poderão responder por crimes de organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, conforme o avanço das investigações e a análise dos materiais apreendidos, como celulares, computadores e documentos.
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