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Imagem: PF Divulgação
Apreensão de cocaína em Fernandópolis ajudou PF a desvendar rota internacional ligada ao PCC
Investigação da Operação Narco Sky aponta que carga interceptada no interior paulista abasteceria embarcação com destino à Europa.
Por Samuel Leite
04 de Junho de 2026 às 09:47
Uma megaoperação da Polícia Federal revelou que uma apreensão realizada em Fernandópolis foi decisiva para desvendar um sofisticado esquema internacional de tráfico de drogas operado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com organizações criminosas estrangeiras.
De acordo com as investigações, um carregamento de 490,8 quilos de cocaína apreendido em uma aeronave no aeroporto de Fernandópolis fazia parte de uma complexa logística utilizada para enviar entorpecentes da América do Sul para a Europa. A droga, segundo a Polícia Federal, seria transportada posteriormente até o litoral paulista, onde abasteceria o veleiro "Mobydick", embarcação preparada para atravessar o Oceano Atlântico com destino à Espanha.
A descoberta ocorreu durante a Operação Narco Sky, deflagrada nesta terça-feira (2), que é um desdobramento da Operação Narco Vela. A ação tem como alvo uma organização criminosa especializada no transporte internacional de cocaína por rotas marítimas, utilizando uma sofisticada cadeia logística que combina transporte aéreo, terrestre e naval.
Segundo a PF, a apreensão realizada em Fernandópolis provocou um grande prejuízo para a organização criminosa e obrigou os responsáveis pelo esquema a reorganizarem toda a operação antes de conseguirem embarcar uma nova carga ilícita. As investigações apontam que a perda da droga gerou inclusive conflitos internos entre operadores brasileiros e o capitão estrangeiro responsável pela embarcação.
A ofensiva policial também mira os vínculos entre integrantes do PCC e o mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido pelos apelidos "Nikola Boros" e "John Gotti", apontado pelas autoridades como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta e um dos financiadores do tráfico internacional de cocaína. Preso na Venezuela desde maio de 2025, ele é investigado por coordenar grandes remessas de drogas destinadas aos mercados europeu e africano.
Ao todo, a Operação Narco Sky cumpriu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. A Justiça Federal também determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados, em valores que podem chegar a R$ 631,8 milhões.
Para os investigadores, a conexão descoberta a partir da apreensão em Fernandópolis evidencia o papel estratégico do interior paulista na logística utilizada por organizações criminosas para abastecer o tráfico internacional de drogas, reforçando a importância das ações integradas de inteligência no combate ao crime organizado.
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