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Operação Infiltrados cumpre 3 prisões e 10 mandados em Campinas e Cardoso contra suspeitos de ligação com o PCC
Entre os investigados estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um advogado suspeitos de vazamento de informações sigilosas, extorsão e envolvimento em plano para matar um promotor de Justiça
Por Samuel Leite
09 de Junho de 2026 às 15:46
Uma operação realizada na manhã desta terça-feira (9) pelo Ministério Público do Estado de São Paulo resultou na prisão de três pessoas suspeitas de atuar como infiltradas da facção criminosa PCC. Entre os detidos estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio Ministério Público, que atualmente exerce a advocacia. A operação revelou suposta ligação do crime organizado com agentes públicos no interior paulista.
As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e apontam que os suspeitos teriam participado de um esquema de vazamento de informações sigilosas para integrantes da organização criminosa, além de suposto envolvimento em um plano para assassinar um promotor de Justiça que atua no combate ao crime organizado.
Batizada de Operação Infiltrados, a ação cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, município da região de Votuporanga localizado a aproximadamente 69 quilômetros de Fernandópolis. Um policial penal também foi alvo das investigações.
Segundo o Ministério Público, o chefe de investigadores preso atuava na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e teria repassado informações privilegiadas a criminosos envolvidos no planejamento do atentado contra o promotor.
Já o ex-estagiário do Ministério Público é suspeito de ter se infiltrado deliberadamente em uma promotoria criminal para obter acesso a sistemas internos e dados sigilosos. De acordo com a investigação, ele teria utilizado essas informações para identificar criminosos com elevado poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
As apurações também apontam a participação de outros agentes públicos no esquema. Entre eles estão um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação anos atrás por envolvimento em crime de extorsão mediante sequestro.
A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas ações anteriores do Gaeco. A primeira, denominada Operação Pronta Resposta, investigou um plano atribuído ao PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. A segunda, chamada Operação Off White, teve como foco um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes de alta periculosidade, incluindo um dos principais líderes da facção em liberdade na época das investigações.
Em nota oficial, o Ministério Público destacou que as investigações continuam e ressaltou a atuação integrada das forças de segurança na identificação e responsabilização de agentes públicos eventualmente envolvidos com organizações criminosas. O órgão também reafirmou o compromisso das instituições com a transparência, a legalidade e a proteção da sociedade.
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