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Projeto 'Mulheres da Literatura' traz escritora indígena Geni Núñez a Fernandópolis
Ativista e psicóloga, ela debate temas atuais com os alunos de escolas públicas
Por Stephani Barbará
22 de Setembro de 2026 às 16:59
O projeto Mulheres da Literatura teve continuidade nesta terça-feira, 22 de setembro, em Fernandópolis, com uma programação dividida em duas etapas. Promovida pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Estado de São Paulo, a iniciativa conta com o apoio local da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Na primeira agenda do dia, realizada pela manhã, a escritora indígena Geni Núñez reuniu-se com alunos na EMEFA Melvin Jones. Já no período da tarde, a autora conversou com outro grupo de estudantes da mesma instituição, desta vez na Biblioteca Municipal.
Esta é a segunda atração do projeto na cidade, que estreou no início de agosto com a contadora de histórias Thayame Porto. Agora, o foco é o "Encontro com Escritoras", evento que acontece simultaneamente em várias regiões de São Paulo que possuem bibliotecas públicas bem estruturadas.
Geni Núñez foi a escolhida para percorrer os municípios da região noroeste do estado. Com quatro anos de carreira literária, a jovem autora já publicou quatro títulos — sendo dois infantis e dois voltados para o público adulto. Em suas obras e palestras, ela une suas origens do povo Guarani à sua formação acadêmica, que inclui a graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), destacando frequentemente o tema "perspectivas indígenas na psicologia".
No entanto, no diálogo com os jovens de Fernandópolis, a escritora optou por deixar de lado os conceitos mais complexos para focar na influência do tupi-guarani no cotidiano dos brasileiros. Ela exemplificou que a palavra "pipoca", por exemplo, é de origem indígena e significa "algo que pula", despertando o interesse dos alunos para a origem de termos comuns.
Para Geni, sua principal missão é despertar a imaginação dos jovens e incentivar o hábito da leitura, algo que ela defende que comece no ambiente familiar, tendo a opinião de que, se os pais têm o hábito de ler, os filhos certamente seguirão esse caminho.
Ao contrário de visões mais tradicionais, ela não enxerga a internet como uma vilã para a literatura, justificando que o livro nunca vai deixar de existir e que as bienais que frequenta estão sempre lotadas de autores e leitores.
Durante os encontros, formatados como rodas de conversa, os estudantes compartilharam experiências pessoais e tiraram dúvidas sobre a vida da escritora, que revelou dividir sua rotina entre os arranha-céus da Avenida Paulista e a sua aldeia em Amambaí (MS), reforçando que jamais abandonará suas origens.
A autora também aproveitou a oportunidade para desmistificar dados reais da população nativa, explicando que o Brasil possui mais de 300 etnias e que 50% dos indígenas vivem atualmente em centros urbanos.
Em seus livros, Geni aborda temas como racismo, machismo e estereótipos, confirmando que o preconceito ainda é uma barreira diária. Segundo ela, muitas pessoas duvidam de sua identidade por esperarem um estereótipo ultrapassado de que o indígena deve estar sempre pintado ou utilizando trajes nativos.
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