Um programador de 48 anos foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira (8), em Santa Fé do Sul, durante a Operação Artemis, investigação que apura a atuação de uma rede internacional suspeita de armazenar e comercializar imagens relacionadas ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
A operação teve desdobramentos em outras duas cidades do Noroeste Paulista: São José do Rio Preto e Votuporanga. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios.
Em Santa Fé do Sul, a Polícia Civil cumpriu um mandado em um imóvel ligado a um servidor público que trabalha como programador em uma faculdade da cidade. Durante as buscas, os investigadores localizaram diversos arquivos em equipamentos eletrônicos.
Segundo a delegada Karla Cristina Martins Pereira, da Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul, o homem admitiu que armazenava o material e forneceu aos policiais as senhas de acesso aos dispositivos.
Celulares, computadores e outros equipamentos foram apreendidos e serão submetidos à análise pericial. O suspeito foi preso em flagrante e deverá passar por audiência de custódia.
Em São José do Rio Preto, a Polícia Civil cumpriu dois mandados de busca. Um dos investigados foi localizado no Jardim Maria Lúcia e levado para a delegacia. Também houve buscas no Jardim Tarraf.
Já em Votuporanga, foram cumpridos três mandados. Entre os alvos da investigação está um policial penal.
A Polícia Civil chegou aos suspeitos após analisar aproximadamente 60 gigabytes de arquivos digitais relacionados à investigação.
A Operação Artemis é apontada pela polícia como a terceira etapa de uma investigação internacional, realizada com apoio da Interpol e de uma organização norte-americana especializada no desenvolvimento de tecnologias para auxiliar autoridades na identificação de crimes envolvendo abuso e exploração sexual infantil.
Segundo as investigações, a primeira fase ocorreu na Europa e a segunda na Ásia. A atual etapa concentra esforços em países da América Latina.
A polícia estima que aproximadamente 250 pessoas possam fazer parte da rede no Brasil. Ainda de acordo com as investigações, os materiais seriam comercializados em comunidades virtuais e alguns conteúdos poderiam alcançar valores de até R$ 100 mil.
Os investigados poderão responder por crimes contra a dignidade sexual e por delitos relacionados ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
A responsabilização definitiva, no entanto, dependerá do avanço das investigações e das decisões da Justiça.
Em nota, o Unifunec informou que os fatos investigados não ocorreram nas dependências da instituição e não têm relação com as funções exercidas pelo servidor.
A faculdade declarou ainda que vai aguardar a conclusão da investigação para avaliar e adotar as medidas administrativas cabíveis.
A Polícia Civil continua analisando os equipamentos apreendidos e os dados obtidos durante a operação para identificar outros possíveis integrantes da rede e esclarecer a extensão da atuação do grupo.